The Principle of Virtual Work in the Finite Element Method

1. Conceito Fundamental

O Método dos Elementos Finitos (MEF) é fundamentalmente uma aplicação do Princípio dos Trabalhos Virtuais. Vejamos o que este princípio afirma.

Deslocamento Virtual

Considere um campo de deslocamento virtual δ 𝐮 no corpo. O deslocamento virtual é arbitrário1, exceto que deve cumprir as restrições de contorno; ou seja, é zero onde quer que o deslocamento seja prescrito na fronteira.

Trabalho Virtual Externo (TVE)

O trabalho virtual externo (TVE) é o trabalho realizado pelas trações reais e forças de corpo e é dado por E V W = Γ t 𝐭 δ 𝐮   d S + Ω 𝐛 δ 𝐮   d V A primeira integral é sobre a porção da fronteira do corpo (𝛤t)onde a tração é prescrita. A segunda integral é sobre o volume (Ω) do corpo.

Se as forças de corpo forem desprezíveis e apenas forças concentradas P atuarem em certos nós (ou se as trações distribuídas forem convertidas em forças nodais equivalentes, como será explicado mais tarde), então o trabalho virtual externo se reduz a V W E = δ 𝐪 𝖳 𝐏 onde:

  • P é o vetor das cargas externas reais (forças) aplicadas aos nós da estrutura.
  • δ 𝐪 é o vetor dos deslocamentos externos virtuais nos nós correspondentes.

Trabalho Virtual Interno (TVI)

O trabalho virtual interno é a integral do produto da tensão interna real, σ, e da deformação virtual, δ 𝝐 , sobre o volume (Ω) do corpo.

I V W = Ω δ 𝝐 𝖳 𝝈 d V onde:

  • δ 𝝐 é a deformação virtual resultante do deslocamento virtual δ 𝐮 . δ 𝝐 = [ δ ϵ x x δ ϵ y y δ ϵ z z δ γ z x δ γ z y δ γ x y ]
  • σ é a tensão interna real resultante da carga externa real P. 𝝈 = [ σ x x σ y y σ z z σ z x σ z y σ x y ]

Se o material for elástico linear, então usando a relação constitutiva (Lei de Hooke para um material elástico linear), podemos expressar a tensão em termos de deformação:

  • ε é a deformação real correspondente à tensão real σ.
  • E é a matriz de elasticidade do material (contendo propriedades como Módulo de Young e Coeficiente de Poisson). Por exemplo, em um problema de deformação plana: 𝐄 = E ( 1 + ν ) ( 1 2 ν ) [ 1 ν ν 0 ν 1 ν 0 0 0 1 2 ν 2 ] Substituindo a lei constitutiva na expressão do TVI obtém-se: I V W = Ω δ 𝝐 𝖳 𝐄 𝝐 d V

Princípio dos Trabalhos Virtuais

O princípio dos trabalhos virtuais afirma que o corpo está em equilíbrio se e somente se o trabalho virtual externo (TVE) for igual ao trabalho virtual interno (TVI) para cada campo de deslocamento virtual admissível. E V W = I V W ou δ 𝐪 T 𝐏 = Ω δ 𝝐 𝖳 𝝈   d V Nós anteriormente provamos este princípio.

2. A Matriz Deformação-Deslocamento (B)

Um conceito central no MEF é relacionar o campo de deformação contínuo dentro de um elemento aos seus deslocamentos nodais discretos, q. Isto é alcançado através da matriz deformação-deslocamento, B.

A matriz B é derivada das derivadas das funções de forma do elemento, que serão discutidas mais tarde, e é, no caso geral, uma função das coordenadas x = (x, y, z) dentro do elemento. Para enfatizar, podemos escrever: 𝝐 ( 𝐱 ) = 𝐁 ( 𝐱 ) 𝐪

Da mesma forma, a deformação virtual está relacionada aos deslocamentos nodais virtuais:

δ 𝝐 ( 𝐱 ) = 𝐁 ( 𝐱 ) δ 𝐪

Substituindo estas relações na equação do TVI, podemos expressar o trabalho virtual interno inteiramente em termos de deslocamentos nodais:

3. Derivação da Matriz de Rigidez do Elemento (K)

Igualando as expressões para o trabalho virtual externo e interno:

δ 𝐪 𝖳 𝐏 = δ 𝐪 𝖳 ( Ω 𝐁 𝖳 𝐄 𝐁 d V ) 𝐪

Como esta equação deve valer para qualquer deslocamento virtual arbitrário δ 𝐪 , podemos cancelar o termo δ 𝐪 T de ambos os lados, obtendo a relação fundamental para um elemento finito:

onde K é uma matriz quadrada chamada matriz de rigidez, definida como:

Esta integral é o coração da formulação de elementos finitos para problemas estáticos lineares. Ela transforma as propriedades geométricas e materiais em uma matriz que relaciona forças nodais a deslocamentos nodais.


  1. O campo de deslocamento virtual não precisa ser infinitesimal, ao contrário do que é frequentemente afirmado.↩︎