Projeções perpendiculares

Projeções perpendiculares

Estamos agora em posição de cumprir nossa promessa anterior de investigar as projeções associadas com as decomposições de soma direta particular 𝒱 = . Chamaremos tal projeção de projeção perpendicular . Como é univocamente determinado pelo subespaço , não precisamos especificar ambas as componentes diretas associadas com uma projeção se já sabemos que é perpendicular. Chamaremos a (perpendicular) projeção E em ao longo de simplesmente a projeção em e escreveremos E = P .

Teorema 1. Uma transformação linear E é uma projeção perpendicular se e somente se E = E 2 = E . Projeções perpendiculares são transformações lineares positivas e têm a propriedade de que E x x para todos x .

Demonstração. Se E é uma projeção perpendicular, então a Seção: Adjuntos de projeções , Teorema 1 e o teorema da Seção: Dual de uma soma direta mostram (depois, é claro, das substituições usuais, como por 0 e A por ) que E = E . Conversamente, se E = E 2 = E , então a idempotência de E nos assegura que E é a projeção em ao longo de 𝒩 , onde, é claro, = ( E ) e 𝒩 = 𝒩 ( E ) são o contradomínio e o núcleo de E , respectivamente. Daí precisamos apenas mostrar que e 𝒩 são ortogonais. Para este propósito seja x qualquer elemento de e y qualquer elemento de 𝒩 ; o resultado desejado segue da relação ( x , y ) = ( E x , y ) = ( x , E y ) = ( x , E y ) = 0. O caráter positivo de um E satisfazendo E = E 2 = E segue de Aplicando esse resultado à projeção perpendicular 1 E , vemos que isso conclui a demonstração do teorema. ◻

Para algumas das generalizações de nossa teoria é útil saber que a idempotência junto com a última propriedade mencionada no Teorema 1 também é característica de projeções perpendiculares.

Teorema 2. Se uma transformação linear E é tal que E = E 2 e E x x para todos x , então E = E .

Demonstração. Devemos mostrar que o contradomínio e o núcleo 𝒩 de E são ortogonais. Se x está em 𝒩 , então y = E x x está em 𝒩 , pois E y = E 2 x E x = E x E x = 0. Daí E x = x + y com ( x , y ) = 0 , de modo que x 2 E x 2 = x 2 + y 2 x 2 , e portanto y = 0 . Consequentemente E x = x , de modo que x está em ; isso prova que 𝒩 . Conversamente, se z está em , de modo que E z = z , escrevemos z = x + y com x em 𝒩 e y em 𝒩 . Então z = E z = E x + E y = E x = x . (A razão para a última igualdade é que x está em 𝒩 e portanto em .) Daí z está em 𝒩 , de modo que 𝒩 , e portanto = 𝒩 . ◻

Precisaremos também do fato de que o teorema da Seção: Combinações de projeções permanece verdadeiro se a palavra "projeção" é qualificada em todo lugar por "perpendicular". Isso é uma consequência imediata da caracterização anterior de projeções perpendiculares e do fato de que somas e diferenças de transformações autoadjuntas são autoadjuntas, enquanto o produto de duas transformações autoadjuntas é autoadjunto se e somente se comutam. Pelos nossos presentes métodos geométricos é também bem fácil generalizar a parte do teorema que lida com somas de dois somandos para qualquer número finito. A generalização é mais convenientemente enunciada em termos do conceito de ortogonalidade para projeções; diremos que duas (perpendiculares) projeções E e F são ortogonais se E F = 0 . (Consideração de adjuntos mostra que isso é equivalente a F E = 0 .) O seguinte teorema mostra que a linguagem geométrica é justificada.

Teorema 3. Duas projeções perpendiculares E = P e F = P 𝒩 são ortogonais se e somente se os subespaços e 𝒩 (isto é, os contradomínios de E e F ) são ortogonais.

Demonstração. Se E F = 0 , e se x e y estão nos contradomínios de E e F respectivamente, então ( x , y ) = ( E x , F y ) = ( x , E F y ) = ( x , E F y ) = 0. Se, conversamente, e 𝒩 são ortogonais (de modo que 𝒩 ), então o fato de que E x = 0 para x em implica que E F x = 0 para todos x (pois F x está em 𝒩 e consequentemente em ). ◻